Thursday, 2 February 2012

Novas etapas

Incrível como as novas etapas agora vão aparecendo, mais devagarinho, mas de forma menos obvia, o que nos dá mais tempo para pensar, mas que são ao mesmo tempo mais difíceis de comunicar!
Este ano, e depois da aventura de ir buscar a R. à escola a meio da noite, começamos a incentivar as noites fora, e começámos por ter as amigas a dormir cá em casa. Sábado estiveram as manas I. e E., amigas já de longa data e agora da escola, e na Terça, loucura das loucuras a meio da semana, foi a vez da R. amiga nova da escola com quem a amizade foi instantânea.
A coisa mais curiosa desta experiência foi aperceber-me que R. não só tem dificuldade de ficar, como lhe custa a partilha do espaço/tempo que é a noite e o dormir. Não consigo dizer porquê, e ela também não. Quando lhe pergunto começa a inventar uma daquelas historias complicadas que só ela sabe criar.
Ficou para pensar. E ficou a promessa de trocar.
Joana

Monday, 30 January 2012

Macaquinho do chinês

Desde pequena que R. gosta de imitar os outros. Lembro-me que inicialmente isso me irritava um pouco. Mas um dia li num livro que os seguidores em pequenos podem ser crescer para ser lideres, e a irritação foi passando.
De facto, a imitação e uma forma de aprendizagem importante, e por isso e natural que os miúdos imitem os outros como forma de aprender. Nao sei porque é que uns imitam mais que outros. Sei que R. imita gestos, comportamentos, palavras, e tudo de forma muito sistemática. Às vezes continua a irritar-me e digo-lhe que me irrita, outras riu-me, noutras converso, e muitas outras devem passar-me ao lado. De facto nunca mais tinha pensado nisso até receber a avaliação da R. da escola. O Prof.de R. escreve que ela tem tendência a "copiar" os desenhos dos outros em vez de fazer os seus, e que não transpõe a sua imensa criatividade para os seus trabalhos. E por isso voltei a pensar nisso. Curiosmente, R. sempre fez uns desenhos muito pouco convencionais e originais, e sempre foi fácil reconhecer os dela no meio dos trabalhos dos outros. Depois de pensar e conversar com o professor e algumas amigas, percebi que esta imitação não é mais que uma forma de se querer integrar e ser "igual" aos outros. A imitação por si não me preocupa, mas fiquei a pensar na sua dificuldade por vezes em trabalhar as suas ideias hiper criativas, e as concretizar. Eu que nunca gostei de desenhar, nem em criança, sempre senti que não conseguia acompanhar esta faceta da R. Haverá formas de a ajudar a concretizar as suas ideias?
Joana

telepatia antes de adormecer

"Às vezes quando nos concentramos muita na musica esquecemos de tudo o resto" diz o M antes de adormecer.

Digo que sim e penso:
"Sim, também eu às vezes me concentro na musica para esquecer tudo o resto"

Acho que é a isto que se chama telepatia :)

Dina

Saturday, 7 January 2012

Confiança

Quando M. tinha 2 anos, levamo-lo ao cinema pela primeira vez. Ele gostava de filmes, aguentava um filme inteiro na TV e os tios queriam ser eles a partilhar com ele a primeira experiência na sala do grande ecrã. Como ele era bastante pequeno, disse-lhe que se ele quisesse, podíamos sair da sala a qualquer altura. Disse-lhe varias vezes para ele saber que podia. O certo e que mal o filme começou, o M. quis sair. Confirmei com ele e disse-lhe que se nos fossemos embora, já não podíamos voltar, e ele garantiu-me que queria sair. E saímos. Fiquei bastante frustrada na altura, e irritada comigo mesma por lhe ter dito aquilo, mas passada a irritação inicial, pensei que tinha sido bom. M. tinha testado a minha palavra, e eu tinha cumprido. E ele passou a saber nas próximas vezes que podia mesmo confiar em mim. Desde então já fomos muitas vezes ao cinema juntos, e o grande ecrã é algo que temos como partilha de tia e sobrinho.
Nunca mais me lembrei desta história até que estas ferias de Natal R. Foi passar uma noite na escola. Como ela e muito agarrada à mãe e custa-lhe dormir fora de casa andou a pensar se devia ou não ir. Eu tentei convencê-la a ir, e ela acabou por decidir-se. Disse-lhe que se ela quisesse, eu iria busca-lá, independentemente da hora. Ela perguntou-me, mesmo que seja a meio da noite? Ao que eu respondi que sim, mesmo que fosse a meio da noite. E assim foi, a 1.30 da manhã, lá fui eu buscá-la à escola, onde todos os coleguinhas estavam a dormir há horas... Fiquei triste, por ela, pela dependência. Mas no dia seguinte, lembrei-me da história do M. E do cinema e pensei que havia uma coisa boa no meio disto tudo, a confirmação da confiança. A certeza de que quando digo uma coisa, a faço (excepto quando não e mesmo possível...). E pensei que não há mesmo substituto dessa confiança. E espero que futuras experiências de dormir fora de casa, não acabem comigo a ir a meio da noite buscá-la. Mas agora ela sabe que se eu disser que vou, é porque vou.
Joana

Da R. No Natal

Mãe, eu já percebi, no Natal e como se nos fossemos Jesus, por isso recebemos prendas no dia de anos dele.
Ao acendermos as velas para o jantar:"Vamos cantar os Parabéns ao Jesus?"
Joana

Sunday, 11 December 2011

Confirmando as nossas decisões

A verdade é que tomo muitas das minhas decisões no que toca à R., mas não só, contra o que inicialmente parece sensato ou plausível. No dia-a-dia isso tem pouca importância, e vou confirmando que por muito doida que possa parecer, R. é uma menina feliz. Não é isso que queremos todos para os nossos filhos? Mas com decisões de mais longo prazo, e difícil saber se tomámos a decisão certa, embora admita que não haja nunca uma e só uma decisão correcta.
Seja como for, desde que decidimos mudar a R. de escola que estou sempre a pensar se teríamos tomado a melhor decisão para ela. Embora o pappi e a Dina me digam vezes sem conta que foi a melhor opção, houve manhãs neste período em que R. me disse que não queria ter mudado de escola. Esses momentos difíceis faziam-me sempre pensar: será que fiz bem? E começar o dia na certeza que se a tivesse deixado na escola antiga ela estaria feliz e não teria que se adaptar, e ter que me relembrar das mil e uma razões que nos levaram a tomar essa decisão.
Hoje soube que sim, que fiz bem. Tivemos a festinha de Natal da escola. R. completamente integrada ao lado dos colegas. Estava contente e orgulhosa, sentia-se no seu ambiente, e sobretudo estava feliz!
Joana

Tuesday, 6 December 2011

Das coisas que não posso dizer ao M

Cresci numa casa com uma mãe que entre as muitas coisas que fez apressadas e sem pensar fez uma que acho me mudou a vida: as coisas deviam ser ditas. Se algo nos incomodava, se tínhamos um problema, se estávamos infelizes mesmo que os outros não nos percebessem.

Essa decisão da minha mãe não se cumpriu sempre lá em casa. Há a pressa dos dias, há querermos dizer mas não termos ainda encontrado a forma ou as palavras melhores para o dizer, é precisarmos de um pouco mais de tempo porque sabemos que o outro não vai gostar de ouvir.
Ainda que sabendo que nem sempre é possível ter isso, ficou comigo essa vontade que haja sempre espaço para podermos dizer às pessoas que nos são próximas as verdades como nos apercebemos delas. Vejo-a também nos meus irmãos (à medida das suas personalidades) e concordo com a minha mãe que as coisas devem ser ditas. A minha irmã até escreveu algo sobre este padrão de Comunicação em que fomos educadas (http://domiradouro.blogspot.com/2010/07/comunicacao.html.)

Também para mim com o M apareceu uma nova coisa dentro dessa convicção.... há coisas que eu não consigo contar-lhe.... tento ser honesta com ele dizendo que há uma coisa que não estou a contar para me manter fiel à vontade de ter sempre em casa um espaço de liberdade para contarmos o que nos apetece. E até agora o M tem esse à vontade e às vezes faz como eu: quando não lhe apetece partilhar diz que prefere ficar com isso só para ele (mas é uma forma de não partilhar a partilhar :)) O M e eu vamos fazendo paz com isto construindo aos poucos as fronteiras do que pode ser contado e do que deve ser apontado mas deve permanecer como pertencendo à esfera pessoal de cada um de nós :)

A sensação de que há coisas que eu não lhe consigo transmitir em conversa e sobre as quais tenho que discutir comigo mesma se quero ou não contar causa-me sempre algum incomodo.... e embora me custe esse incomodo.... acho que só me vou preocupar quando isso deixar de me incomodar.... aqui a desejar que outros pais sintam esta dificuldade em bem estabelecer esta fronteira do que se deve ou não conversar com os nossos filhos.

Sunday, 4 December 2011

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal
Olá. Como é que é o Pólonorte? Quero uma Nasi e a minha mãe gostava de ter um bébe e que não houvesse pistolas e guerras. Para o meu primo e a minha tia um amigo para o Kíri-cat. E também gostava que fosses a Suíça para eu ver-te.
Beijinhos da R.
Para: Pai Natal
(carta escrita como trabalho de casa para a escola.)

Wednesday, 9 November 2011

Mau feitio

Não só R. ouve constantemente que é super parecida comigo, como também ouve que para além disso herdou o mau feitio da mãe. É verdade. Mesmo assim, as vezes penso que não lhe devia dizer, mas as más disposições matinais,as respostas tortas e irritações em determinadas ocasiões, fazem as palavras sair-me da boca. Em certos momentos, percebo perfeitamente como lhe vem tal irritação.
Por ter ouvido isso tantas vezes, R. perguntou-me no outro dia de manhã a caminho da escola: o que é mau feitio? Dei-lhe uma explicação péssima, porque de facto não conseguia pensar numa melhor, e desde então tenho apontado momentos e reacções que apelidamos de "mau feitio".
Este apontar não serve para grande coisa, já que as reacções não se transformam na sua sequência. Talvez a única utilidade seja ela saber que eu reconheço as sua reacções e que sei como ela se sente nesses momento. E esta, embora pareça uma pequena utilidade, pode ser importante!
Não é bom (e raro) quando sabemos que os outros sabem exactamente como nos sentimos?
Joana

Wednesday, 2 November 2011

Ser Bilingue II - Ler e Escrever

Aqui em casa continuamos a trabalhar o bilinguismo. Ao contrario dos casos em que se vive com a 2ª língua, e se necessita dela para comunicar, R. de facto praticamente não precisa do dialecto esquisito do pappi. A grande motivação da R. é poder falar com os primos, mas só os vê 2 vezes por ano... Por isso, o bilinguismo de R. é tudo menos automático. Claro que se fossemos para a terra do pappi, 2 meses bastavam para que ela estivesse completamente fluente. Enquanto não se prevê que tal aconteça, continuamos a trabalhar a língua com os livros, os cds, as cassetes, etc.
Desde o ano passado que R. tem aulas de alemão com uma professora fantástica (Obrigado M!). Este ano conseguimos ter um grupinho de meninos com aulas com ela na escola nova, e estão todos a aprender a ler. Está a funcionar super bem, e os meninos saem da sala todos com um ar super bem disposto e feliz. Não só R. está a começar a ler na 2ª lingua (o que, verdade seja dita é mais fácil), anda também com mais vontade de falar. No carro disse-me ainda: Mãe, se queres mesmo aprender alemão, tens que arranjar uma professora como a M. (é verdade, ela tem razão)! Curiosamente, R. detesta que eu fale alemão com ela, e diz que tenho que treinar com o pappi.
O que é certo é que entrámos noutra fase da relação com a lingua, e que a sua grande vontade de ler e escrever é agora também motivação para se tornar fluente pelo menos em alemão (para não falar no schweizerdeutsch)!
Joana