Saturday, 7 January 2012

Confiança

Quando M. tinha 2 anos, levamo-lo ao cinema pela primeira vez. Ele gostava de filmes, aguentava um filme inteiro na TV e os tios queriam ser eles a partilhar com ele a primeira experiência na sala do grande ecrã. Como ele era bastante pequeno, disse-lhe que se ele quisesse, podíamos sair da sala a qualquer altura. Disse-lhe varias vezes para ele saber que podia. O certo e que mal o filme começou, o M. quis sair. Confirmei com ele e disse-lhe que se nos fossemos embora, já não podíamos voltar, e ele garantiu-me que queria sair. E saímos. Fiquei bastante frustrada na altura, e irritada comigo mesma por lhe ter dito aquilo, mas passada a irritação inicial, pensei que tinha sido bom. M. tinha testado a minha palavra, e eu tinha cumprido. E ele passou a saber nas próximas vezes que podia mesmo confiar em mim. Desde então já fomos muitas vezes ao cinema juntos, e o grande ecrã é algo que temos como partilha de tia e sobrinho.
Nunca mais me lembrei desta história até que estas ferias de Natal R. Foi passar uma noite na escola. Como ela e muito agarrada à mãe e custa-lhe dormir fora de casa andou a pensar se devia ou não ir. Eu tentei convencê-la a ir, e ela acabou por decidir-se. Disse-lhe que se ela quisesse, eu iria busca-lá, independentemente da hora. Ela perguntou-me, mesmo que seja a meio da noite? Ao que eu respondi que sim, mesmo que fosse a meio da noite. E assim foi, a 1.30 da manhã, lá fui eu buscá-la à escola, onde todos os coleguinhas estavam a dormir há horas... Fiquei triste, por ela, pela dependência. Mas no dia seguinte, lembrei-me da história do M. E do cinema e pensei que havia uma coisa boa no meio disto tudo, a confirmação da confiança. A certeza de que quando digo uma coisa, a faço (excepto quando não e mesmo possível...). E pensei que não há mesmo substituto dessa confiança. E espero que futuras experiências de dormir fora de casa, não acabem comigo a ir a meio da noite buscá-la. Mas agora ela sabe que se eu disser que vou, é porque vou.
Joana

1 comments:

Mar said...

Os meus já dormiram inúmeras vezes fora de casa, umas vezes por que quiseram, outras porque tinha de ser. Mas sempre lhes disse isso mesmo, que os vou buscar a qualquer hora, desde que me seja possível. Ainda há 2 semanas fiz 40 km a meio da noite, para ir buscar o P., que quis dormir em casa da tia, e depois-afinal-já-não. Mas, se um filho nos telefona a chorar e a dizer que quer ir para casa, como não ir buscá-lo?